Pensadores da educação: Piaget




        Esse educador nasceu na Suíça, realizou profundas pesquisas no desenvolvimento da criança, tendo escrito mais de 50 livros e monografias, além de centenas de artigos.
        Estudou com afinco o processo de adaptação do homem ao meio pelo uso do conhecimento e, por isso, deu muita importância ao processo de interação do indivíduo ao meio ambiente, que resulta em estruturas lógicas, produzidas pelo indivíduo, que permitem ao ser humano atuar sobre o mundo de formas cada vez mais complexas e flexíveis. A interação da criança com a realidade, operando ativamente com pessoas e objetos, impulsiona-a a criar estruturas mentais e adquirir formas de colocá-las em funcionamento.
        Para Piaget há vários estágios e períodos do desenvolvimento da inteligência, que caracterizam as formas diferentes do indivíduo interagir com a realidade, pois é o indivíduo que, desde criança, vai construindo o seu desenvolvimento mental. Estes estágios, segundo Piaget, são os seguintes: I – de 0 a 2 anos: estágio sensório motor; II – de 2 a 6 anos: estágio pré-operacional; III – de 7 a 11 anos: estágio de operações concretas; IV – de 12 anos em diante: estágio das operações formais.
        - Os conhecimentos sobre as estruturas mentais que se encontram em cada faixa etária e sobre o modo de funcionamento específico dessas estruturas, em cada fase do seu desenvolvimento, para serem utilizados pedagogicamente, necessitam de estudo aprofundado.
        O modo de raciocinar da criança é diferente do adulto, pois ela não raciocina por dedução ou por indução, mas por analogia, sendo, também, um ser com uma capacidade adaptativa muito elevada, sob o aspecto tanto social, como mental, emocional e físico. Seus sentidos captam o concreto com elevada capacidade o que resulta em descobrir o mundo, portanto, o exercício livre de suas capacidades físicas e mentais é a condição básica e indispensável ao bom desempenho de sua aprendizagem.
        Além disto, a criança pré-escolar é egocêntrica, pensando que tudo existe em função dela, também é incapaz de manejar idéias abstratas e não tem uma visão panorâmica das coisas.
        Quanto à descoberta do real esse não é concebido como algo que se impõe, objetivo e universal existem vários reais e não um real que se modifica segundo as etapas do desenvolvimento do ser humano. Há um processo dialético, semelhante a uma espiral, na construção do real, no qual há a participação ativa do sujeito de uma forma mais importante do que o objeto, presente ou não. É após o nascimento, através de ações sensoriomotoras, que se inicia a construção do real, bem como de sua apropriação, completando-se na idade adulta, quando o ser humano repensa sobre ela, sobre o aqui e o agora, libertando-se dela através da atividade intelectual abstrata.
        Antes de completar quatro anos, conforme a fase do seu desenvolvimento, a criança torna-se capaz de usar palavras para designar eventos e objetos, de formar símbolos mentais representando objetos reais, de agrupar objetos de forma rudimentar e, num nível muito simples, de raciocinar. Ela, de acordo com Piaget, aos quatro anos, começa a possuir um pensamento intuitivo, entretanto, apesar dos avanços conquistados, encontra dificuldades em apreender as seqüências, a ordem do aparecimento dos acontecimentos, em compreender a linguagem das outras pessoas e as regras delas e, também, em entender o conceito de número.
        Através da sua experiência a criança constrói, a partir do agrupamento rudimentar, critérios classificatórios, chegando a estabelecer as coleções que correspondem as suas necessidades, cativando seu interesse.
        Piaget enfatizou a moralidade autônoma da criança, isto é, que a pessoa torna-se capaz de se governar e, desta forma, é preciso que a pré-escola compreenda o que as crianças são capazes de realizar e o que não são de acordo com o estágio do seu desenvolvimento. Como conseqüência os professores não punirão os educandos, porém dialogarão com eles a fim de que compreendam os porquês dos seus erros.
        A teoria de Piaget, ao enfatizar a atividade do sujeito e a iniciativa do mesmo, nos conduz a adotar uma atitude diante da criança que reconhece a sua individualidade, a sua autonomia, permitindo-lhe o uso da experiência direta e a sua participação na organização da administração escolar o que resultará em torná-la mais adaptável às transformações da vida, mais apta a enfrentar e a solucionar problemas, a colaborar com os outros e a tomar decisões.
        Por sua teoria psicogenética reconhecer que o processo de desenvolvimento pressupõe uma sucessão de etapas, Piaget foi um incentivador da educação pré-escolar, dando apoio às ações espontâneas da criança, objetivando à organização do ato de conhecer voltada à preparação das operações da inteligência, respeitando, ao mesmo tempo, sua criatividade e sua espontaneidade.
        Em resumo as propostas teóricas de Piaget têm como pressupostos básicos o interacionismo, a idéia do construtivismo seqüencial e os fatores que interferem no desenvolvimento.
        Pretende pelo interacionismo superar as concepções inatistas, por um lado, e as teorias comportamentalistas, de outro lado. Para ele o desenvolvimento resulta de combinações entre as circunstâncias oferecidas pelo meio e aquilo que o organismo traz.
        De acordo com Kramer (1991) uma pré-escola fundamentada na teoria de Piaget necessita seguir os princípios básicos que, em geral, orientam a prática pedagógica baseada na teoria deste educador que são:

1. Tudo necessita de ação;
2. Permitir que a criança expresse seu simbolismo e, portanto, toda atividade na pré-escola deve ser semiotizada (representada);
3. A pré-escola necessita promover atividades em grupo, possibilitando o desenvolvimento da criança na interação e no contato com outras crianças;
4. Por intermédio da atividade a criança se organiza e, desta forma, a noção de organização é adquirida;
5. Ao criar “problemas” e “dificuldades” para a criança resolver, o professor exerce o papel de desafiador do educando e a pré-escola passa a ser um espaço criativo, ao invés de ser vista como passatempo, valorizando a iniciativa, a inventividade e a curiosidade da criança, promovendo a sua autonomia e permitindo a ampliação e a diversificação de suas experiências. Na pré-escola é essencial haver um clima de expectativas positivas em relação às crianças, elevando a autoconfiança delas, vencendo os aspectos negativos, para que tenham iniciativa de experimentar, de descobrir, de se comunicar, etc.;
6. As atividades são o eixo central do currículo da pré-escola e, por isto, são integradas às diferentes áreas do conhecimento humano (ciências sociais e naturais, matemática, linguagem).

        Podemos afirmar que a pré-escola, ao adotar a teoria educacional de Piaget, necessita criar as condições necessárias para a criança construir o seu conhecimento do real, não através das palavras, mas da ação, de acordo com a fase do seu desenvolvimento.
        A teoria psicogenética de Piaget entende que o processo de desenvolvimento ocorre em etapas, conduzindo-o a interessar-se pela educação pré-escolar, pois nela há um clima favorável de liberdade de exploração, porque respeita a criatividade e a espontaneidade da criança, bem como um ambiente rico em desafios. A pré-escola comporta ensino na medida em que exige uma organização das atividades dos alunos, enfatizando a necessidade de existir um ambiente humano, educativo e organizado.
        Houve muitas modificações na sociedade humana que se refletiram nos vários enfoques, nas formas de visualizar a infância e, também, a Educação Infantil. Cada educador contribuiu muito, logo, podemos destacar, Piaget, Vygotsky e Wallon, os quais tentaram mostrar que a capacidade de aprender se constrói a partir das trocas estabelecidas entre o sujeito e o meio. As teorias sócio-interacionistas defendem o desenvolvimento infantil como um processo dinâmico, pois as crianças, não são apenas receptoras das informações, sendo que o desenvolvimento motor, afetivo, cognitivo, a capacidade afetiva, a sensibilidade, a auto-estima, o raciocínio e a linguagem acontecem de forma integrada e simultânea.
        Os estudos desses teóricos possibilitaram uma nova compreensão do desenvolvimento infantil, embora nem sempre concordantes em todos os aspectos. Com o desenvolvimento histórico da sociedade brasileira houve uma progressiva inserção dela no sistema capitalista e, com ela, mudanças na área educacional, inclusive na Educação Infantil, gerando as modificações nas políticas educacionais públicas: assim primeiramente predominou o assistencialismo e depois, ao lado dele, a educação.

Fonte: Revista Nova Escola